segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Cabeça Fria.....

A decisão da Taça Guanabara terminou há 5 horas. Se eu tivesse começado a escrever com o jogo recém terminado, talvez não conseguisse concatenar duas idéias plausíveis. Mas agora, passado o calor da partida, vou tentar aqui uma análise minimamente imparcial do jogo de hoje no Mário Filho.
O Flamengo veio a campo com o meio campo recheado de homens de marcação, repetindo a formação que levou o clube à Libertadores. A única alteração era Marcinho na vaga do lesionado Renato Augusto.
No Botafogo, ficou clara a limitação do elenco, uma vez que não se pôde contar com Jorge Henrique desde o começo, e em seu lugar entrou o apenas esforçado Adriano Felício, o que fez com que o time entrasse com apenas um atacante de ofício: Wellington Paulista. Na Lateral Esquerda, Eduardo assumia a vaga do suspenso Triguinho.
A partida começou bastante equilibrada, como se esperava, mas o Flamengo se mostrava melhor entrosado, até porque esse time joga junto desde o Brasileiro do ano passado e as peças se conhecem bem. O Botafogo jogava fechado, buscando os contra-ataques. Num deles, Leonardo Moura recuou a bola para o goleiro Bruno, que a pegou com a mão. Não Pode. Mas ele não deu.....
Aos 27, o solitário Wellington Paulista recebeu na entrada da área, fez bonita jogada individual e bateu no cantinho. o Botafogo fazia 1 a 0 e assim terminava a primeira etapa.
O Flamengo voltou com Obina e Kleberson nos lugares de Marcinho e Jaílton e foi pra cima do Botafogo, que já tinha vários jopgadores pendurados com o cartão amarelo. Veio então o lance capital da partida. Juan ( como está jogando....) bateu na área e Ferrero puxou a camisa de Fábio Luciano. O Juiz deu o penal.
Não estou discutindo aqui se a penalidade existiu ou não. O fato do zagueiro do Flamengo ter sido puxado dentro da área foi evidente. A questão é o critério adotado pelo árbitro. Se toda vez que jogada semelhante ocorrer, um pênalti for marcado, as partidas vão terminar com mais de 10 gols pra cada lado. Isto posto, Ibson bateu, empatou e uma nova confusão se estabeleceu quando Souza foi tentar pegar a bola na rede e Castillo não deixou.
O jogador rubro negro tentou dar um soco em Zé Carlos e Foi chutado pelo lateral Alessandro. Só que, ao invés de expulsar o lateral, o juiz acabou mostrando o cartão vermelho a Zé Carlos, que se tinha algum papel naquela balbúrdia, era o de vítima. E é óbvio que o desfalque de Alessandro pesaria menos do que o de Zé.
Com dez contra dez e mais espaços, eis que Lúcio Flávio, que só tinha aparecido no jogo até então em cruzamentos mal executados e passes inócuos e quando tomou um amarelo na tentativa de separar os brigões após o lance do pênalti, comete uma idiotice, pra não dizer palavra pior.
Um cara experiente, que carrega a 10 do Botafogo nas costas não pode fazer uma falta como a que ele cometeu aos 27 do segundo tempo ao parar um contra-ataque. Já tinha o amarelo( este sim aplicado de maneira equivocada) e acabou deixando a equipe com nove jogadores em campo ( entre eles, Jorge Henrique que entrara no lugar de Felício.). Quem me conhece, sabe o quanto eu gosto do Lúcio, mas essa de hoje não foi fácil de aturar, não..... Vai ter que jogar muito no segundo turno.....
Com a vantagem numérica, Joel colocou Diego Tardelli na vaga de Toró e o Flamengo perdeu uma série de oportunidades, até que as 46 minutos, o mesmo Diego fez um belíssimo gol, fazendo explodir a torcida. A Rubro-negra, de felicidade. A Alvinegra, de raiva e indignação.
O Botafogo ainda perdeu duas chances claras pra empatar o jogo: a primeira Wellington Paulista mandou pelos ares após receber sozinho, numa jogada em que me pareceu em posição irregular. E a derradeira, numa cabeçada de Édson que explodiu na trave, em um lance em que até Castillo foi pra área tentar o gol de empate.
Inegavelmente, uma bela partida de futebol e um comportamento exemplar das duas torcidas. Oitenta mil presentes e nenhum registro de maiores confusões. Parabéns, ao time da Gávea, que agora pode se dedicar integralmente à disputa da Libertadores, já que está classificado para a decisão Estadual.
Ao Botafogo, fica a prova de que pode enfrentar qualquer equipe de igual pra igual. É tentar levantar a cabeça e partir para a Taça Rio.
Boa semana a todos!
PS: Me abstenho de comentar o circo em que se transformou a entrevista coletiva do Botafogo após a partida. Só espero que, agora sim falando como alvinegro apaixonado, que alguém consiga demover Bebeto de Freitas da idéia de renunciar à presidência. Tudo que o Clube conseguiu, desde o resgate da dignidade quando subiu para a primeira divisão no campo, até a posse do majestoso Engenhão, tem muito a ver com a figura ética e correta que é o Bebeto. Para o bem do Esporte brasileiro em geral e para o Botafogo de Futebol e Regatas, em particular, tomara que ele fique.

2 comentários:

Anônimo disse...

mano...
abandona o futebol...
todo ano é a mesma roubalheira...e a imprensa dia seguinte elogia, diz que "a massa" levou o time ao titulo..
ano passado roubaram contra o madureira na taça GB.....depois contra o bota na final...ai eles foram campeões........
esse ano ja começou igualzinho....aquele gol do fabio luciano contra o vasco, que ele empurrou o vilson....agora essa sacanagem contra o bota....
nosso único consolo é saber que sempre aparece um Defensor da vida e acaba com a gracinha da mulambada...
Abraço,
Gustavo

Anônimo disse...

Você sabe muito bem que eu ODEIO fanatismos em geral, incluindo os por futebol. Aliás, você mais do que ninguém sabe o quanto isso me irrita. Mas eu me surpreendi com este seu texto. Eu não vi o jogo, portanto não posso comentar sobre as polêmicas que surgiram depois. Mas a sua análise foi bem imparcial, como poucos conseguem fazer. Texto excelente, sem repetições. Gostei bastante. Não foi meloso, não foi apaixonado. Hoje ouvi comentários de torcedores de outros times muito mais parciais (a favor do Botafogo) do que o seu. Parabéns!!! Foi um belo começo! Vamos ver se agora que você virou blogueiro você passa a visitar outros blogs também - e comentar, é claro!